2007-10-09 09:56:23
Cândida Ribeiro
 
“TROFÉUS-GALINHA” PARA DESCOBERTAS INSÓLITAS
São uma sátira ao Prémio Nobel e este ano têm a forma de galinhas. Os troféus IgNobel distinguem os investigadores que, em 2007, patentearam ou publicaram os trabalhos mais insólitos. A cerimónia decorreu na instituição que mais Nobel produziu para a História: a Universidade de Harvard.

São os cientistas que admitem o inusitado das próprias investigações. “Percebemos que a combinação das palavras hamsters, viagra e jetlag possa ser divertida”, admitiu um dos autores do estudo premiado com o IgNobel da Aviação.

A equipa argentina descobriu que o viagra reduz o mal-estar provocado pela passagem por vários fusos horários. O estudo de Patrícia Agostino, Santiago Plano e Diego Golombek foi publicado pela Academia de Ciências argentina e demonstrou que o princípio activo do viagra tem um efeito regenerador na molécula responsável pela coordenação do ritmo cardíaco em ratos com a luz solar.

As teses fora do comum seguem-se na lista dos 10 distinguidos pela revista “Annals of Improbable Research” que, desde 1991, premeia descobertas que “fazem mais rir do que pensar”.
 
A fórmula de uma “bomba gay” venceu a categoria de IgNobel da Paz. A ideia do Laboratório Wright, da Força Aérea dos EUA, consiste em usar químicos que influenciem o comportamento humano, capazes de transformar os soldados inimigos em homossexuais, que preferem fazer amor, a fazer a guerra.

Nesta edição, Brian Wansink conquistou o IgNobel da Nutrição. O cientista norte-americano provou que as quantidades de comida ingeridas aumentam se não se vir o fundo do prato. Brian Wansink, da Universidade de Cornell, preparou uma refeição de sopa servida em tigelas com fundo falso, na qual o alimento não acabava. Os convidados comeram mais 73% do que o habitual.

Na categoria da Química, a descoberta ignóbil provoca, no mínimo, náuseas. Mayo Yamamoto descobriu uma forma de extrair baunilha a partir do estrume da vaca. A invenção já está a ser utilizada numa geladaria em Massachusetts.

Um inventário de todos os seres vivos encontrados em mobiliário de quarto, tais como insectos, aranhas, bastérias, fundos, pseudo-escorpiões, crustáceos e algas, deu direito ao IgNobel da Biologia, a Johana van Bronswijk.

O prémio para o trabalho inusitado, na área da Física, distinguiu Enrique Cerda Villablanca. O investigador da Universidade de Santiago, no Chile, estudou o “como” e o “porquê” dos amassos nos lençóis.

A linha entre o científico e o anedótico também foi ténue no caso do IgNobel da Medicina – que foi para um estudo sobre os efeitos colaterais de engolir espadas -, da Economia - para um dispositivo que apanha ladrões com uma rede -, da Literatura – para o problema de ordenar os substantivos por ordem alfabética utilizando o “the”, e da Linguística – que distinguiu uma equipa de investigadores espanhóis, responsáveis pela teoria de que os ratos não distinguem japonês de holandês, se uma pessoa estiver de costas.

Os prémios da “ciência inútil” são revelados por altura do anúncio dos vencedores do Nobel. Os IgNobel foram ganhando importância pela necessidade de mostrar que as investigações de qualidade não têm de ser pesadas e que os pensamentos menos tradicionais também podem sair em revistas científicas.

Os laureados pelas investigações sérias de conteúdo improvável, receberam as distinções das mãos dos verdadeiros Nobel. Craig Mello (Medicina, em 2006), Dudley Herschbach (Química, em 1986), Robert Laughlin (Física, em 1998), William Lipscomb (Química, em 1976) e Sheldon Glashow (Física, em 1979) participaram da cerimónia de entrega dos IgNobel, cujos troféus tinham a forma de uma galinha.

A sessão decorreu no Teatro Sanders, na Universidade de Harvard, durante o último fim-de-semana, e juntou cerca de 1200 pessoas. O “bom-humor” foi palavra de ordem durante a cerimónia, que culminou com a dica de sempre: “se não ganhou um prémio e, especialmente, se ganhou, melhor sorte para o ano”.



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