Qualquer semelhança entre a célebre cena do filme “The Seven Year Itch”, em que Marilyn Monroe quase fica sem vestido quando o metro passa, e a performance “Sopra-me”, não é pura coincidência.
Tal como no filme, aqui também temos a famosa actriz de cinema norte-americana envergando o conhecido vestido branco. A diferença é que o vento que faz levantar a peça de roupa sai de três ventoinhas colocadas por baixo de um estrado. Mas é o próprio público que faz accionar o mecanismo soprando uma outra ventoinha.
Foi este jogo interactivo que Rita Figueiredo e Bruno Costa criaram. A performance “Sopra-me” valeu o primeiro lugar do “Prémio MAPA” aos dois alunos do 5º ano do curso de Som e Imagem da Universidade Católica do Porto, que levaram para casa 2.500 euros cada.
“Foi uma surpresa. Olhámos para os outros trabalhos do festival e vimos estruturas mais complexas, com mais tecnologia. A nossa era muito simples, era directa, não era preciso saber nada, era só preciso soprar”, afirma a autora do projecto vencedor.
O público teve oportunidade de experimentar o jogo na mostra onde estiveram expostos os 13 trabalhos finalistas do “Prémio MAPA”. Na Reitoria da Universidade do Porto, Rita Figueiredo vestiu a pele de Marilyn Monroe. A aluna da Católica garante que apesar de ser uma experiência intimidatória, quem por lá passou, gostou. “Eu estava num sítio estratégico e aproveitei para chamar as pessoas que passavam na rua, assobiando, através de gestos e sinais. As pessoas viam-me e entravam”, conta Rita Figueiredo.
A ideia de criar este jogo de sedução surgiu de uma brincadeira entre os dois alunos. “Estava com uma saia e ela levantou-se. O Bruno, que estava comigo, disse 'pareces a Marilyn' e o conceito desenvolveu-se a partir daí”, explica Rita Figueiredo.
Menções honrosas para três instalações multimédia
O júri do “Prémio MAPA” distinguiu ainda outros três trabalhos com menções honrosas. Dois dos prémios foram atribuídos a alunos do Mestrado em Multimédia da Universidade do Porto.
Catarina Mendes venceu com o projecto “Nós aqui em Baixo”. A instalação é composta por almofadas – com fotografias a preto e branco de rostos de seres humanos com expressões dolorosas – colocadas no chão entre duas paredes. A cada rosto é atribuída uma voz e à medida que o utilizador avança no corredor vai pisando os rostos que emitem diversos sons.
A outra distinção foi para a instalação multimédia “Sob(re) a cama”, que convida o utilizador a deitar-se numa cama e, através de um objecto luminoso - direccionado para uma tela colocada sobre a cama - descobrir os corpos masculinos e femininos que são projectados. Miguel Teixeira, Ana Lopes, Hélder dos Santos, Luís Pereira e Ana Rita Cardoso assinam este projecto.
A terceira menção honrosa foi para Filipe Ferreira, do Instituto Politécnico de Leiria, com o projecto “Soundscapes from underwater”, uma instalação, onde habitam “peixes-músicos” num aquário. Neste ecossistema as imagens suscitam paisagens sonoras.
Foram apresentados a concurso 39 trabalhos, entre performances, publicações na Web ou instalações interactivas. O “Prémio MAPA” distingue, anualmente, trabalhos académicos que aliem duas áreas distintas: a arte e a tecnologia.