2008-08-19 10:07:42
Paula Alves Silva
 
SPIN-OFF DA U.ALGARVE MEDE POLUIÇÃO SONORA NO MAR
A MarSensing, uma spin-off do Laboratório de Processamento de Sinal (SiPLAB) da Universidade do Algarve, está a analisar e a mapear o ruído produzido pelo Homem no mundo subaquático. A empresa importou ainda um serviço inovador dos Estados Unidos que permite, entre outras coisas, ouvir música debaixo de água.

Quando as pessoas embarcam nos transportes marítimos talvez não imaginem que estão a contribuir para a poluição sonora do meio aquático. E esta é apenas uma das actividades humanas que contribui para este tipo de poluição. Devido às consequências provocadas no habitat marítimo, a Comissão Europeia estipulou metas gerais de qualidade ambiental que devem ser atingidas até 2020.

E foi perante este cenário, que a MarSensing desenvolveu um serviço que realiza medições de ruído in situ. Ou seja, “medições a várias profundidades”, explica Cristiano Soares, um dos quatro membros da empresa.

O engenheiro de sistemas e computação refere que o ruído varia de acordo com a profundidade. “Através da batometria [medida das profundezas do mar] da zona em observação, aplicamos um modelo de propagação acústica para gerar um mapa de ruído em profundidade e distância”, aclara.

“Esta é uma área ainda um pouco obscura”. Há uma enorme dificuldade em saber qual o impacto do ruído subaquático e, por outro lado, a sua forma de propagação, a qual depende das condições da zona, sublinha Cristiano Soares. É necessário analisar o meio antes da introdução do barulho e depois para analisar as alterações. O estudo deverá demorar entre 3 e 4 anos.

Cristiano Soares deixa um alerta para as consequências da poluição sonora. Os golfinhos e baleias são os mais afectados. A baleia que foi recentemente encontrada no Mar Báltico, uma zona nada habituada à passagem destes mamíferos, é um exemplo do problema. Os elevados níveis de ruído no Mar do Norte terão provocado a desorientação da baleia.

Ouvir e sentir a música debaixo de água com o sistema AquaSOM

Além de se debruçar sobre o nível de ruído produzido debaixo de água, a MarSensing quer também proporcionar aos banhistas a oportunidade de ouvir música debaixo de água. Para isso importou um sistema dos Estados Unidos, o AquaSOM, que permite que as ondas sonoras sejam sentidas no corpo, porque a densidade da água aproxima-se da humana.

As colunas produzem uma melodia “cristalina e limpa” que parece vir de todas as direcções, devido à velocidade de propagação, assemelhando-se a um hi-fi natural e relaxando o ouvinte. Cristiano Soares explica que a coluna subaquática pode ser ligada a sistemas de áudio convencional – um leitor de CD, computador ou microfone – em piscinas, lagoas ou no mar.

O sistema pode ainda ser aplicado em escolas de mergulho e em actividades científicas.

Os engenheiros estão a trabalhar, paralelamente, em dois protótipos: um microfone subaquático, que permite escutar os sons marítimos, e um hidrofone digital, um sistema de gravação autónomo com utilização aquática.

Para “fintar” o desemprego, Cristiano Soares, Friedrich Zabel, Celestino Martins e António Silva, quatro alunos da Universidade do Algarve, criaram em 2007 a MarSensing. A spin-off dedica-se à Investigação & Desenvolvimento em Processamento e Aquisição de Sinais Acústios Submarinos e é apoiada pela Agência de Inovação.



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