Quando as pessoas embarcam nos transportes marítimos talvez não imaginem que estão a contribuir para a poluição sonora do meio aquático. E esta é apenas uma das actividades humanas que contribui para este tipo de poluição. Devido às consequências provocadas no habitat marítimo, a Comissão Europeia estipulou metas gerais de qualidade ambiental que devem ser atingidas até 2020.
E foi perante este cenário, que a MarSensing desenvolveu um serviço que realiza medições de ruído in situ. Ou seja, “medições a várias profundidades”, explica Cristiano Soares, um dos quatro membros da empresa.
O engenheiro de sistemas e computação refere que o ruído varia de acordo com a profundidade. “Através da batometria [medida das profundezas do mar] da zona em observação, aplicamos um modelo de propagação acústica para gerar um mapa de ruído em profundidade e distância”, aclara.
“Esta é uma área ainda um pouco obscura”. Há uma enorme dificuldade em saber qual o impacto do ruído subaquático e, por outro lado, a sua forma de propagação, a qual depende das condições da zona, sublinha Cristiano Soares. É necessário analisar o meio antes da introdução do barulho e depois para analisar as alterações. O estudo deverá demorar entre 3 e 4 anos.
Cristiano Soares deixa um alerta para as consequências da poluição sonora. Os golfinhos e baleias são os mais afectados. A baleia que foi recentemente encontrada no Mar Báltico, uma zona nada habituada à passagem destes mamíferos, é um exemplo do problema. Os elevados níveis de ruído no Mar do Norte terão provocado a desorientação da baleia.
Ouvir e sentir a música debaixo de água com o sistema AquaSOM
Além de se debruçar sobre o nível de ruído produzido debaixo de água, a MarSensing quer também proporcionar aos banhistas a oportunidade de ouvir música debaixo de água. Para isso importou um sistema dos Estados Unidos, o AquaSOM, que permite que as ondas sonoras sejam sentidas no corpo, porque a densidade da água aproxima-se da humana.
As colunas produzem uma melodia “cristalina e limpa” que parece vir de todas as direcções, devido à velocidade de propagação, assemelhando-se a um hi-fi natural e relaxando o ouvinte. Cristiano Soares explica que a coluna subaquática pode ser ligada a sistemas de áudio convencional – um leitor de CD, computador ou microfone – em piscinas, lagoas ou no mar.
O sistema pode ainda ser aplicado em escolas de mergulho e em actividades científicas.
Os engenheiros estão a trabalhar, paralelamente, em dois protótipos: um microfone subaquático, que permite escutar os sons marítimos, e um hidrofone digital, um sistema de gravação autónomo com utilização aquática.
Para “fintar” o desemprego, Cristiano Soares, Friedrich Zabel, Celestino Martins e António Silva, quatro alunos da Universidade do Algarve, criaram em 2007 a MarSensing. A spin-off dedica-se à Investigação & Desenvolvimento em Processamento e Aquisição de Sinais Acústios Submarinos e é apoiada pela Agência de Inovação.