É um dispositivo simples, baseado na cor e pode ser produzido a baixo custo. São estas as características que fazem do otoscópio óptico-electrónico desenvolvido por uma equipa da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) um produto inovador.
“Os dispositivos que existem consistem em algo que faz vibrar o tímpano através de ondas sonoras. O problema é que estas tecnologias são mais complexas e mais sujeitas a ruídos exteriores e, por isso, torna-se mais difícil de fazer o diagnóstico”, explica João Manuel Tavares, coordenador do projecto.
Este novo otoscópio permite identificar patologias do ouvido médio através da cor. “Permite comparar a cor da membrana do tímpano. Quanto menos vermelho, mais sã está”, esclarece o docente da FEUP.
O dispositivo traduz num sinal eléctrico o estado da membrana do tímpano. “Tem indicação de três níveis e os LEDS vão acendendo consoante o grau da otite. Permite ainda indicar o valor quantificado e ligar a um computador que regista todos os dados dos pacientes”, adianta João Manuel Tavares.
O protótipo poderá ser comercializado atendendo a duas finalidades: uso doméstico e uso hospitalar. No caso de uso pessoal, será um dispositivo mais simples, com menos informação, funcionará como um termómetro digital e custará cerca de 50 euros. Para os profissionais de saúde será um produto mais completo a rondar os mil euros.
Os autores do protótipo já solicitaram a patente e esperam agora encontrar parceiros capazes de trazer o otoscópio óptico-electrónico para o mercado. A Tomorrow Options, incubada no Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto, é uma das empresas interessadas na invenção.
Projecto nasceu de uma tese de mestrado
“A ideia surgiu durante uma reunião com médicos do Serviço de Pediatria do Hospital Pedro Hispano. Os médicos sugeriram um dispositivo que os auxiliasse a diagnosticar otites em bebés”, conta o docente do Departamento de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial da FEUP.
João Manuel Tavares lançou o desafio aos alunos do Mestrado em Design Industrial e José Manuel Soeira viria a fazer do tema a sua tese. O projecto começou em 2005 e a equipa responsável pelo protótipo completa-se com Jorge Reis e Joaquim Magalhães Mendes, docentes da FEUP, e Georgeta Oliveira, pediatra.
O resultado final foi um dispositivo de grande utilidade sobretudo para médicos de clínica geral e pediatras, eliminando a subjectividade do diagnóstico. “Nos bebés é mais importante, porque além de terem períodos frequentes de otites, não são propriamente pacientes que colaboram no diagnóstico”, ressalva João Manuel Tavares. O protótipo já foi testado com sucesso no Hospital Pedro Hispano.