Quando se começaram a arquitectar as bases da ideia, a AEESMAE pretendia construir um projecto mais extenso e delinear uma semana cultural que viajasse pelos vários estabelecimentos de Ensino Superior do Porto. Contactaram as várias associações e dentro dessa semana resolveram edificar um festival, com o intuito de “oferecer música de qualidade à cidade”.
“A ideia é fazer do festival um evento enorme do ponto de vista cultural, conjuntamente com as restantes actividades que se estão a organizar” e, por isso, apesar do objectivo estar patente na palavra, o nome do evento, é essencialmente “uma questão puramente estética”, afirma Francisco Ferreira, responsável pela comunicação do festival.
Mas porque esta é a primeira edição são necessários cuidados e, por isso, o estudante não foge à realidade, afirmando que este ano as artérias do evento “cingem-se à cidade”. “Na próxima edição, praticamente confirmada para a mesma altura, poderemos atrair estudantes ao Porto. Tornarmo-nos uma referência nacional é um estatuto que só podemos adquirir ao longo de várias edições”, reconhece.
O público-alvo está identificado: os estudantes, “porque é mais simples cativar os mais jovens”, mas a organização quer alargar a esfera de influência e levar os cidadãos portuenses ao Palácio de Cristal, “nem que seja pela curiosidade” de ouvir música que normalmente não marca presença em festivais da cidade.
Três grupos aterram pela primeira vez em Portugal
Numa primeira edição quase parece um risco trazer tantas estreias a Portugal, mas a Associação de Estudantes da ESMAE quis fazer apostas elevadas e por isso pescou artistas de diferentes pontos do mundo, “bandas conceituadas do panorama de música alternativa” e que “não são comuns em festivais universitários”. Confirma-se assim “o objectivo inicial” da organização, assegura Francisco Ferreira.
Para a Alemanha seguiu um convite para os De Phazz (que actuaram em Portugal há uns anos), conhecidos pelas remisturas modernas dos vários géneros sonoros e pela capacidade de disco após disco verem os elementos do grupo serem renovados. Trazem até ao Porto o seu último trabalho “Big”.
O outro envelope rumou até à Turquia, para que os Istanbul Sessions feat Erik Truffaz trouxessem o indie e a electrónica até ao nosso país. As restantes estreias viajam desde França. Ceux Qui Marchent Debout carrega na mala “She Don’t Love Me” e “It’s a good deed I do” envolvidas de muito funk. A última proposta vinda de fora traz um convite para os portuenses: “Be Elektrisch”. São os Electro Deluxe, carregados de electro e house para encerrar as estreias internacionais.
Engane-se quem julga que os estudantes esqueceram os nomes nacionais no cartaz e muito menos projectos made in Porto. Usaram aliás as bandas internacionais “como forma de atrair a atenção para as bandas nacionais”. Apresentemo-las. O quinteto que constitui os Zelig é um encontro de diferentes percursos onde se encaixam profissionais saídos da própria ESMAE. Dizem que são um “zig zag sonoro onde tudo é possível”. É esperar para ver.
O segundo grupo português é um pouco mais extenso. Quiseram colocar em palco 10 profissionais para não fugir ao destino do grupo de criar “ritmos contagiantes e melodias emotivas que arrepiam a pele”.
Os bilhetes encontram-se em pré-venda na Fnac e nas faculdades associadas ao festival. O custo do ingresso para os três dias varia entre os 20 e os 30 euros. A organização do ENORME conta com o apoio, nesta primeira edição, da Câmara do Porto e do Instituto da Juventude.
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